Tribo Tenharim



Nome: TENHARIM

Tenharim é o nome pelo qual são conhecidos três grupos indígenas que vivem hoje na região do curso médio do rio Madeira, no sul do Estado do Amazonas, pertencentes a um conjunto mais amplo de povos que chamam a si mesmos de Kagwahiva. Além da mesma auto-denominação, os povos Kagwahiva são falantes de uma mesma língua, pertencente à família Tupi-Guarani, e se organizam conforme um mesmo sistema de metades matrimoniais com nomes de aves. Quanto aos três grupos Tenharim, o do rio Sepoti tem origem recente no do rio Marmelos, mas o do igarapé Preto não tem origem comum conhecida com os outros dois, mas é um antigo aliado.
O início da estação seca, por volta de junho, no sul do Amazonas é marcado pela derrubada da mata e o início do plantio das roças. Na Transamazônica (Tenharim do rio Marmelos), nessa época, muitas famílias deixam a aldeia para viver temporariamente em seus "sítios", preparando a lavoura e amenizando a convivência entre si. Alguns optaram por morar nesses sítios definitivamente, mantendo uma casa para estadas temporárias na aldeia. Nos "sítios", pode-se observar a introdução de novas plantas, como por exemplo a melancia e, em alguns casos, também da criação de gado. Mas, apesar do baixo custo de mercado, a farinha continua sendo a produção prioritária.
Na Transamazônica e no igarapé Preto, o excedente da farinha é trocado por produtos industrializados na própria aldeia. Essa troca é efetuada com comerciantes que chegam da cidade já com os pedidos da população. Em geral, estes indivíduos sobrevalorizam os produtos industrializados e subvalorizam os produtos Tenharim. Além da farinha, interessam-se também pela aquisição de castanha e de óleo de copaíba. Para o transporte dos produtos, utilizam o caminhão dos Tenharim ou o da prefeitura, que circula semanalmente pela rodovia Transamazônica, conduzindo a população que vive ao longo da estrada. No rio Sepoti, o comércio é feito com os regatões, que chegam à aldeia com barcos carregados de produtos industrializados para a troca.
Além da produção agrícola, os Tenharim vivem da caça, da pesca e da coleta. Há, por parte de alguns grupos domésticos, uma intensa produção de artesanato, que consiste em arcos, flechas, cocares, colares, pulseiras e anéis, que são comercializados em Porto Velho e em eventuais viagens.